12 abril 2008
10 abril 2008
O Principezinho
Não queria deixar de partilhar com vocês o meu capítulo preferido do meu livro preferido.
Das 1000 vezes que o li, pareceu-me sempre diferente, mais puro e mais enriquecedor.
Precisávamos de mais "principezinhos" neste mundo...

...Julgava-me muito rico por ter uma flor única no mundo e, afinal só tenho uma rosa vulgar...
Foi então que apareceu uma raposa .
- Olá, bom dia! disse a raposa.
- Olá, bom dia! - Respondeu delicadamente o principezinho...
-Anda brincar comigo - pediu o principezinho. Estou tão triste...
- Não posso ir brincar contigo - disse a raposa. - Ainda ninguém me cativou...
Andas à procura de galinhas? (diz a raposa)
Não... Ando à procura de amigos. O que é que "cativar" quer dizer?
... Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
Laços?
Sim, laços - disse a raposa. - ...
Eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo e eu serei para ti, única no mundo...
(raposa) Tenho uma vida terrivelmente monótona...
Mas se tu me cativares, a minha vida fica cheia se Sol.
Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? ... não me fazem lembrar de nada. É uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então quando eu estiver cativada por ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti...
- Só conhecemos as coisas que cativamos - disse a raposa. - Os homens, agora já não tem tempo para conhecer nada. Compram as coisas feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não tem amigos. Se queres um amigo, cativa-me!
E o que é preciso fazer? - Perguntou o principezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada . A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas todos os dias te podes sentar mais perto...
Se vieres sempre ás quatro horas, ás três já eu começo a ser feliz...
Foi assim que o principezinho cativou a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
- Ai! - exclamou a raposa - Ai que me vou pôr a chorar...
... Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! - disse a raposa. - Por causa da cor do trigo...
Depois acrescentou:
- Anda vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo.
O principezinho lá foi... - vocês não são nada disse-lhes ele. - Não há ninguém preso a vocês... - não se pode morrer por vocês...
... A minha rosa sozinha. vale mais do que vocês todas juntas, porque foi a ela que eu reguei, que eu abriguei... Porque foi a ela que eu ouvi queixar-se, gabar-se e até, ás vezes calar-se. Porque ela é a minha rosa.
E então voltou para ao pé da raposa e disse:
- Adeus...
- Adeus - disse a raposa. - vou-te contar o tal segredo. É muito simples:
Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. Mas tu não te deves esquecer dela.
Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa...

Antoine De Saint-Exupery "O Principezinho"
Sejam Felizes!

TABACARIA
(15-1-1928)
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu.
Álvaro de Campos
Como estamos numa boa onda de educação e cultura, queria deixar-vos com este poema lindíssimo, que lido em pequenos trechos se identifica com um bocadinho de nós. Aproveitem para serem grandes e evoluídos...
A gente continua a ver-se na expo! LOL
07 abril 2008
Homenagem a Almada Negreiros
Hoje lembrei-me de Almada Negreiros. Se hoje fosse vivo faria 115 anos (sim nasceu a 7 de Abril de 1893). Foi um artista multidisciplinar, pintor, escritor, poeta, ensaísta, dramaturgo e romancista português ligado ao grupo modernista, onde pontificavam ainda Mário de Sá Carneiro, Fernando Pessoa, entre tantos outros carismáticos do século XX. Espectacular a entrevista que deu ao programa Zip Zip da RTP, na década de 60, e que ainda hoje pode ser vista ou revista na RTP Memória (não serve só para ver jogos do Benfica quando ganhava campeonatos - não resisti hehehehe). Deixou-nos a 14 de Junho de 1970, mas deixou-nos uma vasta obra para apreciar.
Hoje lembrei-me de um dos seus textos mais sublimes - Manifesto Anti-Dantas. Pesquisei no maravilhoso mundo da World Wide Web, e eis que encontrei na integra esse maravilhoso texto (podem vê-lo aqui). Deliciei-me mais uma vez a lê-lo.
Assim, deixo aqui um breve excerto que quero dedicar a TODAS e TODOS os Dantas que continuam a proliferar por aqui e a fazer "PIM-PAM-PUM".
"BASTA PUM BASTA!
UMA GERAÇÃO, QUE CONSENTE DEIXAR-SE REPRESENTAR POR UM DANTAS É UMA GERAÇÃO QUE NUNCA O FOI! É UM COIO D'INDIGENTES, D'INDIGNOS E DE CEGOS! É UMA RÊSMA DE CHARLATÃES E DE VENDIDOS, E SÓ PODE PARIR ABAIXO DE ZERO!
ABAIXO A GERAÇÃO!
MORRA O DANTAS, MORRA! PIM!
UMA GERAÇÃO COM UM DANTAS A CAVALO É UM BURRO IMPOTENTE!
UMA GERAÇÃO COM UM DANTAS À PROA É UMA CANÔA UNI SECO!
O DANTAS É UM CIGANO!
O DANTAS É MEIO CIGANO!
O DANTAS SABERÁ GRAMMÁTICA, SABERÁ SYNTAXE, SABERÁ MEDICINA, SABERÁ FAZER CEIAS P'RA CARDEAIS SABERÁ TUDO MENOS ESCREVER QUE É A ÚNICA COISA QUE ELLLE FAZ!
O DANTAS PESCA TANTO DE POESIA QUE ATÉ FAZ SONETOS COM LIGAS DE DUQUEZAS!
O DANTAS É UM HABILIDOSO!
O DANTAS VESTE-SE MAL!
O DANTAS USA CEROULAS DE MALHA!
O DANTAS ESPECÚLA E INÓCULA OS CONCUBINOS!
O DANTAS É DANTAS!
O DANTAS É JÚLIO!
MORRA O DANTAS, MORRA! PIM!
O DANTAS FEZ UMA SORÔR MARIANNA QUE TANTO O PODIA SER COMO A SORÔR IGNEZ OU A IGNEZ DE CASTRO, OU A LEONOR TELLES, OU O MESTRE D'AVIZ, OU A DONA CONSTANÇA, OU A NAU CATHRINETA, OU A MARIA RAPAZ!
E O DANTAS TEVE CLÁQUE! E O DANTAS TEVE PALMAS! E O DANTAS AGRADECEU!
O DANTAS É UM CIGANÃO!
NÃO É PRECISO IR P'RÓ ROCIO P'RA SE SER UM PANTOMINEIRO, BASTA SER-SE PANTOMINEIRO!
NÃO É PRECISO DISFARÇAR-SE P'RA SE SER SALTEADOR, BASTA ESCREVER COMO DANTAS! BASTA NÃO TER ESCRÚPULOS NEM MORAES, NEM ARTÍSTICOS, NEM HUMANOS! BASTA ANDAR CO'AS MODAS, CO'AS POLÍTICAS E CO'AS OPINIÕES! BASTA USAR O TAL SORRISINHO, BASTA SER MUITO DELICADO E USAR CÔCO E OLHOS MEIGOS! BASTA SER JUDAS! BASTA SER DANTAS!
MORRA O DANTAS, MORRA! PIM!
O DANTAS NASCEU PARA PROVAR QUE, NEM TODOS OS QUE ESCREVEM SABEM ESCREVER!
O DANTAS É UM AUTOMATO QUE DEITA PR'A FÓRA O QUE A GENTE JÁ SABE QUE VAE SAHIR... MAS É PRECISO DEITAR DINHEIRO!
O DANTAS É UM SONETO D'ELLE-PRÓPRIO!
O DANTAS EM GÉNIO NUNCA CHEGA A PÓLVORA SECCA E EM TALENTO É PIM-PAM-PUM!
O DANTAS NÚ É HORROROSO!
O DANTAS CHEIRA MAL DA BOCA!
MORRA O DANTAS, MORRA! PIM!
O DANTAS É O ESCARNEO DA CONSCIÊNCIA!
SE O DANTAS É PORTUGUEZ EU QUERO SER HESPANHOL!
O DANTAS É A VERGONHA DA INTELLECTUALIDADE PORTUGUEZA! O DANTAS É A META DA DECADÊNCIA MENTAL!
E AINDA HÁ QUEM NÃO CÓRE QUANDO DIZ ADMIRAR O DANTAS!
E AINDA HÁ QUEM LHE ESTENDA A MÃO!
E QUEM LHE LAVE A ROUPA!
E QUEM TENHA DÓ DO DANTAS!
E AINDA HÁ QUEM DUVIDE DE QUE O DANTAS NÃO VALE NADA, E QUE NÃO SABE NADA, E QUE NEM É INTELLIGENTE NEM DECENTE, NEM ZERO!
(...)"
A gente vê-se!
05 abril 2008
Cara Suja RIP
Era esperto e voraz, não dispensava os miminhos da minha avó, voltava quase sempre a casa, mas nunca para dormir dentro dela, apenas para descansar à porta. Era assim que ele gostava de viver.
Ainda me lembro do dia em que ele nasceu. Eram 3 gatinhos, 2 meninas tigradas e ele todo branquinho. Depois com o crescimento (como a mãe era siamesa) ele foi ganhando uma mancha aqui e outra ali de siamês. O temperamento era de siamês puro, muito altivo, independente, majestoso. Ah, e o olhos mais azuis que já vi em qualquer siamês.
Como o tipo tinha vida própria e só aparecia se lhe apetecesse, ontem reparámos que algo não estava bem. Foi apenas em 2 dias que ele não apareceu em casa. Gostava do seu território e do seu harém. O que ele tinha era de certo irreversível. Insuficiência hepática, FIV e FELV. Enquanto vou escrevendo isto...vou ficando com o meu coração todo partido, não consigo parar as lágrimas...só quem passou por isto me pode entender. Só houve uma solução...a eutanásia...e pronto. Antes pensava que não tinha coragem para assistir...Mas isso é de uma cobardia sem explicação. Fiquei com ele até ao seu último rom-rom...Sim...este bichinho morreu (felizmente sem qualquer dor) a ronronar. Ele já tinha imensa dificuldade em fazê-lo...mas tenho a certeza que ele soube que nós íamos estar ali com ele até ao fim. Foi das decisões mais dolorosas que tomei na vida. Decidir a vida e a morte de um ser vivo é algo que me transcende. A verdade é que ele morreu dignamente. Com o mínimo sofrimento possível. Foi só nisso que pensei. Ninguém merece sofrer até ao final. Já basta o que fazem com as pessoas. Acho que fui humana o suficiente....
Não acredito em Deus nem em nada do género. São esses fanatismos e essas crenças que geram guerras, ódios e sofrimentos de proporções bíblicas. Acredito que haja um lugar comum para todos, onde nos encontramos outra vez para darmos valor ao tempo que estivemos afastados. Lugar esse onde não existe sofrimento, mentiras, hipocrisia, maldade...espero mesmo que assim seja.
Vemos-nos por aí, Cara Suja...Já tenho saudades tuas, fofinho....um último Rom para ti, meu querido bichinho....
04 abril 2008
Quero Aprender
Quero dar algo de especial ao mundo.
Quero acreditar que há uma razão que dá sentido à vida, um princípio que me ajuda a atravessar os maus momentos e os bons também.
Quero crer que no mundo existe alguém tão só quanto eu.
Quero acreditar que vamos encontrar-nos e amar-nos e jamais voltaremos a conhecer a solidão.
Hoje adequa-se um pouco a mim....
28 março 2008
Portishead - Coliseu dos Recreios 27 Março de 2008
Após 10 anos de ausência de uma tour oficial, os Portishead regrassaram à rua, e escolheram Portugal como porto de partida com dois magníficos concertos. O primeiro na cidade Invicta a 26 de Março, e o outro (que contou com a nossa muito valiosa presença) em Lisboa no Coliseu que é dos Recreios, em mais uma data que irá ficar pelo menos para a minha história - 27 de Março de 2008.
Como disse inicialmente e na minha percepção, foi um grande grande concerto. Numa escala de 0 a 10, concordo com a minha querida Io que o classificou com nota 8. Vá... eu talvez dê um 8,5!!! LOLOLOL
Este concerto começou às 21h em ponto com a actuação de uma banda americana muito, muito fraquinha chamada A Hawk and a Hacksaw. Às 22h10m (aproximadamente) eis que aparecem em palco Beth Gibbons, Geoff Barrow e Adrian Utley. Apoteose total. A grande banda de Bristol novamente em palco para delírio de um Coliseu esgotado à praticamente dois meses.
A abrir a primeira música do novo álbum "Third". Depois, e para contemplação de todos os presentes nesta sala mítica um desfilar de êxitos de álbuns antigos e de futuros grandes êxitos deste novo "Third". Musicas como "Glory Box", "Roads", "Wandering Star", "All Mine", entre tantas outras, bem como as novas "Machine Gun", We Carry On", "The Rip" e "Hunter" fizeram os nossos ouvidos atingirem o nirvana.
Momentos mágicos para mim houve três: a versão quase acústica de "Wandering Star"; "Numb" totalmente inovado e brilhante; e claro está "Roads", que me fez recuar momentaneamente 9 anos na minha vida, e confesso a vocês todos que me fez saltitar pequenas lágrimas.... (sem dúvida uma das minhas músicas mais significativas e que faz-me recordar muita coisa).
Para finalizar este "pequeno" post (e porque já são 1h30m da madrugada de dia 28/03/08, e por isso sexta-feira dia de trabalho), deixo-vos aqui umas modestas fotos tiradas por mim no meio da plateia e até ser apanhado por um "Gorila", desculpem, segurança que me proibiu de tirar mais fotos (apesar de muitas máquinas e telemóveis continuarem com flashs a alvejarem o palco do Coliseu. Enfim...).
E para finalizar a última foto que consegui tirar. Segundos depois tinha uma enorme luz branca de um segurança apontada a mim que nem uma J3 do exercito "Tuga"!!! LOL
A gente vê-se!!!
08 março 2008
8 de Março - Dia Internacional da Mulher
Hoje é o dia internacional da Mulher. Esta é a minha homenagem a todas as mulheres que conheço.
Espero que gostem!
P.S. - Dia 27 deste mês estaremos no Coliseu dos Recreios para os ver ao vivo!!! LOL